Sempre... poesia

Meus rabiscos poéticos!

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21.10.07

Verdade?

 

Eu não suporto a idéia de que o homem foi feito para o amor e não sabe amar, de que sofre com fome de amor e obesidade de egoísmo. Só se preocupa em esquecer, por medo daquilo que foi... Ninguém se aproxima e nada se consegue dizer com o olhar, as lentes invadiram o mundo!
A verdade é coisa esquecida. Agora nas faculdades se estuda o que é a verdade, porque o senso comum é ultrapassado. Quando criança minha mãe me dizia pra sempre dizer a verdade, porque mentir é feio!Mas nunca ouvir dizer que a verdade é bonita, por isso mesmo, porque ela não é, seja talvez um monstro que surge assim que despertamos do sono da ingenuidade. Agora um pouco mais crescida, me convenci de que a verdade é uma mentira bem contada.
Outra novidade são os espelhos mágicos: neles você se enxerga com curvas perfeitas, sorriso colgate... Porque a moda é ser autêntico, e nada mais autêntico que ser aquilo que disseram ser o melhor!Não quero falar de Liberdade, falo da verdade ainda... Aquela que é mais fácil de enxergar...
E querer é poder, desde que caiba nos bolsos, nos cofres, ou em malas, o que é mais comum por aqui... O Querer, vulgo Dinheiro, é uma verdade invisível, ouve-se muito falar dele, é um ator que a mídia não se cansa de publicar, mas para bem poucos uma entrevista no fim do ano. E falando em fim de ano, lembrei-me do sempre tão esperado Natal, primo do Dinheiro, mais um cristão que não sabe rezar!
O mundo aprendeu a usar a Tecnologia, é uma pena que os órgãos públicos detestam coisas que lembrem agilidade... Outro dia, me disseram que os robôs estão a um passo de invadir o mundo, e então me pergunto, será que eles vão precisar de serviços governamentais?Ah sim, desculpem a ignorância, serão bem dosados de paciência, e vão sempre estar bem, obrigado!
A população cresce enquanto que a humanidade diminui, eu que queria tanto ter filhos fui invadida pelo medo. O medo da decepção incurável. Imaginei mulheres carregando pré-fabricados no útero, cada um com sua linguagem especial, a palavra AMOR causando guerras porque ninguém saberá seu significado, o tempo impedido de se perder, orientado pelo um imenso relógio mental, sorrisos sendo vendidos por exorbitante valor... Aí vira filme de terror. Mas se a esperança é a ultima que morre vale lembrar os versos de um poeta: “se o mundo é mesmo parecido com o que vejo, prefiro acreditar no mundo do meu jeito...”
Não vim aqui tentar profetizar, querer título de visionária, ou chorar minhas mágoas de amores-mais-que-perfeitos ou amores nunca correspondidos ou até mesmo aqueles mal resolvidos. Simplesmente o tempo está passando e não mais vejo porquê se contentar com tudo e dizer “é natural...” A naturalidade é a verdade das coisas, aquilo que tem sua ordem e seu curso contínuo, aquilo que sempre aconteceu e que sempre irá acontecer. Intitular natural, as atrocidades ou benevolências da ciência é descobrir que a naturalidade trocou de significado e agora o termo “natural” é dado quando um filho mata um pai com uma arma de fogo. Você certamente quando ouve casos parecidos dirá: é natural, sempre acontece, tô acostumado.... E ouso em reformular esse conceito, pois já vemos a cena como algo que sempre aconteceu e sempre irá acontecer... Agradeçamos a ciência ter tornado tudo isso tão natural.
Experimentamos do prazer passional da carne, o prazer que alimenta e constrói cada vez mais desejos. A mídia usufrui o nosso querer para nos atrair, e os desejos objetivam dar-nos felicidade, uma pena não poder vender amor, paz, sinceridade, bom caráter...isso é uma conquista individual....O mercado não se ocupa de valores, ele gosta de desvalorizar, banalizar... A venda é o principal objetivo, e como não consegue produzir essências de amor em laboratório, erotiza a felicidade e faz do sexo uma pornografia. Continuamos buscando como viver... nós somos paixão e puro desejo, e por sermos seres desejantes, ficamos á mercê das falcatruas do consumo, que utilizam de psicologias de publicidade, para atingir as nossas falsas necessidades e agirem diretamente nas nossas emoções. Vocês não sabem como eles querem nos ver? Como querem que a gente viva? Querem que vivamos felizes, ora...
A sinceridade sem medida é ignorância, mas as pessoas que sempre querem a verdade, quando se deparam com ela dizem que a falsidade é menos dolorosa e não causa feridinhas na alma. A verdade machuca, fere, rasga o peito, mas a falsidade acalenta e faz-nos rir... Enxergar a verdade e aprender a ouvi-la faz de nós capazes de mudar e de nos orgulhar por aquilo que somos, viver de mentirinhas nessa sociedade mediócre, faz a gente pensar que tudo está bom...Que nossa agulha não precisa de mais linha pra fazer alguns arremates naquela colcha de retalhos.
Queria tanto um filho...mas pra não estragar o meu corpo, a ciência ira produzir um útero artificial e tirará de mim o “direito” e a vontade de parir e sentir meu próprio filho....tudo em nome do modismo e da época moderna em que estamos inseridos. O amor está sumindo... no nossos ouvidos só soam reclamações e casais que querem se casar e morar em casas diferentes. O nosso dia é monótono... e ora nos escondemos da verdade. As pessoas odeiam desafios. Mas por quê? Eu gosto tanto...Nos faz seres errantes e nos faz sábios. Casar não deve ser tarefa fácil, mas fugir do dia-a-dia, da tarefa de reconquistar o outro todos os dias, de não conviver com as diferenças e aprender a ceder, a mudar por querer, não irá nos fazer casados. Pra quê assinar um monte de papéis, fazer centenas de promessas, amarras,justificativas? Pra viver cada um no seu lar? Não quero que meus filhos vivam em uma ambiente tão moderno e na dispersão de tanto valores, logo eu que prezo tanto por eles.
Acho que vou continuar no mundo dos meus sonhos... Construindo meus alicerces e levantando as paredes pouco a pouco, no meu modo feliz de ser. Não quero fazer o mundo igual comida caseira, mas quero e preciso saboreá-lo com esse mesmo prazer.

 

Texto escrito em parceria com minha amiga Kizzi Queirós.

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  • Postado em 23:08:14